Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 2,4 milhões de pessoas morrem anualmente por doenças ocupacionais no mundo. No Brasil, distúrbios como LER/DORT, transtornos mentais e doenças respiratórias figuram entre os principais motivos de afastamento.
Para as empresas, isso se traduz em queda de produtividade, rotatividade elevada e, em muitos casos, ações judiciais por negligência em saúde e segurança do trabalho.
Para além do sofrimento humano causado por distúrbios mentais, físicos e emocionais, os prejuízos financeiros gerados por essas condições crescem a cada ano. O impacto é tão significativo que a OIT estima uma perda de cerca de 4% do PIB global ao ano em decorrência de doenças e acidentes laborais.
Ou seja, o custo de não cuidar é muito maior do que o investimento em prevenção.
Continue lendo para entender os principais tipos de doenças ocupacionais, seus efeitos nas empresas e o que fazer para evitá-las.
O que são doenças do trabalho?
Doenças do trabalho são aquelas que surgem em decorrência das condições específicas em que uma atividade profissional é exercida.
De acordo com a Lei nº 8.213/1991, trata-se de uma enfermidade adquirida ou desencadeada pelas circunstâncias especiais do ambiente laboral, mesmo que não esteja diretamente ligada às tarefas do trabalhador.
Ou seja, o trabalho não é a única causa da doença, mas contribui significativamente para o seu desenvolvimento.
Qual a diferença entre doença ocupacional e doença do trabalho?
A doença ocupacional está diretamente ligada à natureza da função exercida, enquanto a doença do trabalho está associada a condições externas do ambiente onde a atividade ocorre.
Veja os exemplos:
Marcelo atua como torneiro mecânico em uma fábrica. Ele opera máquinas que geram muito ruído, soltam faíscas e liberam partículas metálicas.
Com isso, ele fica exposto a riscos como cortes causados por cavacos, perda auditiva e danos à visão. Caso esses problemas de saúde se concretizassem, seriam considerados doenças ocupacionais, já que estão diretamente relacionados à atividade que ele exerce.
Já Bruna, que também trabalha na empresa, atua como auxiliar de escritório. Embora fique em uma sala fechada, ela ainda é impactada pelo barulho constante vindo do setor onde estão os torneiros. Com o passar dos anos, essa exposição ao ruído provocou perda auditiva.
Nesse caso, como o problema foi causado por algo presente no ambiente, mas sem relação direta com as funções desempenhadas por Bruna, trata-se de uma doença do trabalho.
Exemplos de doenças do trabalho
Diversas doenças têm relação com o ambiente de trabalho e como as tarefas são realizadas. Para ser considerada uma doença do trabalho, deve seguir o seguinte caminho:
- Cada CNAE (atividade da empresa) tem um “perfil de doenças” mais comuns;
- Se um colaborador apresentar uma doença compatível com esse perfil, o nexo causal é presumido automaticamente;
- Cabe à empresa provar o contrário, se discordar.
Lembre-se que o NTEP, ferramenta do INSS que cruza dados estatísticos para identificar se uma doença pode ser relacionada ao trabalho, mesmo que não haja laudo médico formal, é uma presunção técnica, não absoluta. Pode ser contestado com documentos médicos e provas.
Abaixo, listamos os principais riscos à saúde e segurança no trabalho e os fatores que contribuem para o surgimento de cada um deles:
Estresse ocupacional
O estresse é uma reação natural do corpo, mas quando se torna crônico, afeta diretamente o equilíbrio físico e emocional.
No trabalho, pode ser causado por:
- Excesso de pressão e cobrança;
- Ambientes altamente competitivos;
- Gestões autoritárias ou sem empatia.
Depressão ocupacional
O transtorno depressivo compromete o humor e o interesse por atividades do dia a dia. Pode ter origem em desgaste físico ou emocional constante, ligado ao ambiente ou à cultura organizacional.
LER e DORT
LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho) são condições que surgem por posturas incorretas ou movimentos repetitivos ao longo do tempo, podendo gerar dores crônicas e limitação de movimentos.
Distúrbios da visão
Ambientes com iluminação inadequada, jornadas noturnas ou tarefas em setores como metalurgia e soldagem contribuem para problemas nos olhos.
Entre as consequências estão:
- Visão embaçada;
- Dificuldade para leitura;
- Conjuntivite;
- Catarata;
- Dores de cabeça.
Déficits auditivos
A exposição prolongada a ruídos elevados, sem a proteção adequada, pode causar perda auditiva — temporária ou progressiva. É comum em áreas industriais, onde o som intenso faz parte da operação diária.
Síndrome de burnout
Também chamada de síndrome do esgotamento profissional, é desencadeada pelo acúmulo de tarefas, cobranças excessivas e sobrecarga emocional. Afeta a saúde mental e física, levando à exaustão extrema.
Dorsalgia
Problemas de coluna, como dores nas costas ou hérnias estão ligados a atividades que envolvem:
- Levantamento de peso;
- Movimentos repetitivos;
- Uso constante da força física.
Varizes
É um dos sintomas da doença venosa crônica, que ocorre quando o sangue tem dificuldade para circular nas pernas. Acomete com mais frequência quem passa longos períodos em pé ou sentado, sem pausas adequadas.
Transtornos mentais
Condições como ansiedade, estresse pós-traumático e depressão podem ter como gatilho:
- Assédio moral ou sexual;
- Metas abusivas;
- Jornadas exaustivas;
- Isolamento social;
- Acontecimentos traumáticos no trabalho.
Transtornos das articulações
Esses fatores aumentam o risco de inflamações e dores contínuas. Lesões em articulações surgem a partir de:
- Posturas inadequadas durante o expediente;
- Movimentos repetitivos sem pausas;
- Sedentarismo ou excesso de peso.
Dermatite alérgica de contato
Esse problema de pele pode ser provocado por:
- Exposição a produtos químicos agressivos;
- Contato com poeira ou agentes irritantes;
- Falta de proteção contra substâncias nocivas.
Os sintomas vão de coceiras e vermelhidão até feridas e infecções graves.
Asma ocupacional
Causada pela inalação de poeiras, partículas químicas ou alérgenos presentes no ar, a asma ocupacional afeta as vias respiratórias e compromete a saúde pulmonar do trabalhador.
Deveres legais do empregador na proteção à saúde do trabalhador
Garantir a saúde e segurança no trabalho não é apenas uma boa prática — é uma obrigação legal. A legislação brasileira, por meio da CLT e das Normas Regulamentadoras (NRs), estabelece uma série de responsabilidades que o empregador deve cumprir para prevenir acidentes e doenças ocupacionais.
A seguir, veja os principais deveres previstos em lei.
Cumprimento das normas de segurança e medicina do trabalho
O empregador deve garantir que todas as normas regulamentadoras (como a NR-1) e disposições da CLT sejam seguidas.
Orientação aos empregados sobre prevenção
É dever da empresa instruir os colaboradores sobre a prevenção de doenças ocupacionais, utilizando ordens de serviço de segurança do trabalho e treinamentos como ferramentas.
Atendimento às determinações dos órgãos competentes
O empregador precisa seguir as orientações e exigências dos órgãos de fiscalização, como o Ministério do Trabalho e a vigilância sanitária.
Facilidade para fiscalização
Consequentemente, a empresa deve permitir o acesso dos fiscais ao ambiente de trabalho, fornecendo informações e suporte sempre que solicitado.
Comunicação de riscos aos trabalhadores
Cabe ao empregador informar os funcionários sobre os agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho, bem como as medidas adotadas para neutralizá-los ou controlá-los.
Implantação de programas de saúde e segurança
É obrigatório implementar programas como a CIPA, PPRA e PCMSO, que ajudam a prevenir acidentes, monitorar a saúde dos colaboradores e garantir um ambiente de trabalho mais seguro.
Responsabilidade pelos custos de saúde ocupacional
O empregador deve custear integralmente os exames exigidos pela NR-7, como admissionais, periódicos e demissionais, sem repassar nenhum valor ao trabalhador.
Fornecimento de EPIs adequados
Quando não for possível eliminar os riscos, o empregador deve disponibilizar gratuitamente equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados à atividade desempenhada.
Investir em ergonomia
Promover a ergonomia no local de trabalho para prevenir problemas musculoesqueléticos e melhorar a qualidade de vida no trabalho.
Como o colaborador pode prevenir e evitar uma doença do trabalho?
A prevenção de doenças do trabalho exige um esforço conjunto, tanto do empregador quanto do colaborador.
Para manter um ambiente de trabalho seguro, o colaborador deve:
- Observar as normas de SST: seguir as diretrizes de saúde e segurança no trabalho fornecidas pelo empregador;
- Colaborar com a empresa: participar ativamente na implementação e execução dos programas de prevenção, como a CIPA e o PPRA;
- Utilizar corretamente os EPIs: fazer uso adequado dos equipamentos de proteção individual fornecidos, pois a recusa injustificada pode configurar falta grave;
- Realizar exames médicos: comparecer aos exames médicos ocupacionais (admissionais, periódicos, etc.) conforme exigido;
- Informar sobre riscos: comunicar ao superior hierárquico qualquer situação ou ocorrência que possa implicar em riscos ocupacionais.
Como a tecnologia pode apoiar na prevenção das doenças do trabalho?
Promover saúde e segurança no trabalho é essencial para garantir bem-estar e produtividade dos colaboradores. Ainda assim, a prevenção de doenças ocupacionais continua sendo um desafio para muitas empresas.
A boa notícia é que a tecnologia tem transformado a forma como essas questões são tratadas. Um bom exemplo disso é a solução do Checklist Fácil, que permite realizar inspeções completas por meio de checklists personalizáveis.
Com eles, é possível identificar a presença de agentes físicos, químicos, biológicos e ergonômicos que possam oferecer riscos à saúde dos colaboradores.
Recursos como sugestões de preenchimento, possibilidade de contestar itens e inserção de respostas customizadas tornam a avaliação mais precisa. Além disso, a leitura por código de barras ou QR Code agiliza a identificação de equipamentos e locais, facilitando o acesso aos formulários.
Detectar falhas rapidamente também é essencial para evitar que pequenas irregularidades evoluam para doenças ocupacionais. Por isso, o sistema permite a criação de Planos de Ação automáticos, com prazos definidos e responsáveis atribuídos para garantir a implementação das ações corretivas.
Outro diferencial é a Integração com Sensores IoT, que monitoram dados como temperatura e umidade em tempo real. Quando algum parâmetro sai do ideal, alertas são enviados automaticamente aos responsáveis, antecipando problemas e reforçando a segurança.
Agora que você já sabe como prevenir doenças ocupacionais e garantir conformidade legal, é hora de agir.
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