construção sustentável

O que é construção sustentável e como aplicar na prática? 

Você sabia que é possível gerir uma construção de forma mais inteligente, econômica e ainda apoiar a sustentabilidade ambiental? Descubra como nesta leitura.
Tempo de leitura: 8 minutos

Construção sustentável é um modelo de edificação que visa reduzir impactos ambientais, promover eficiência energética, uso consciente de recursos e bem-estar. Utiliza materiais ecológicos, técnicas de reaproveitamento e prioriza o ciclo de vida das construções.


A Construção Civil é responsável por mais de um quinto das emissões globais de CO₂, de acordo com Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA) e pela Aliança Global para Edifícios e Construção (GlobalABC). Por isso, a construção sustentável deixou de ser tendência para se tornar uma prioridade

Afinal, essa é uma prática que pode aliar eficiência energética, conservação de água e uso de materiais reciclados à valorização dos imóveis e à qualidade de vida dos ocupantes.  

Neste artigo, você vai entender como a arquitetura verde e a construção ecológica podem reduzir custos e aumentar a durabilidade das obras, além de, obviamente, apoiar a sustentabilidade do meio ambiente. 

O que é construção sustentável? 

Construção sustentável é a prática de projetar e executar obras com o menor impacto ambiental possível, promovendo eficiência, bem-estar e uso responsável dos recursos naturais seguindo parâmetros de ESG (Environmental, Social and Governance)

A construção sustentável considera todo o ciclo de vida da edificação — da escolha do terreno ao uso diário, passando pelo projeto, obra e manutenção. O objetivo é causar o menor impacto ambiental possível e, ao mesmo tempo, garantir conforto e qualidade de vida para quem vai ocupar o espaço. 

Quais são os critérios para uma construção ser considerada sustentável? 

Para que uma construção seja sustentável, é preciso considerar todas as fases do projeto, desde a escolha de materiais até o uso inteligente de energia e água.  

A seguir, confira os principais critérios para uma construção sustentável. 

Eficiência energética 

A eficiência energética envolve o uso inteligente de sistemas de iluminação, ventilação, aquecimento e refrigeração, além do aproveitamento de energia renovável, como a energia solar. 

Práticas como o bom isolamento térmico, o uso de lâmpadas LED e a automação predial também fazem parte desse quesito e ajudam a diminuir o desperdício de recursos. 

Gestão de recursos hídricos 

Antes e durante a obra, é possível reduzir o consumo de água e evitar desperdícios. Algumas práticas incluem: 

  • Captação e reuso da água da chuva para uso na obra, como para limpar ferramentas ou molhar o concreto; 
  • Uso de equipamentos com menor consumo de água, como lava-jatos de alta pressão e misturadores mais eficientes; 
  • Monitoramento do consumo com hidrômetros setorizados, o que permite identificar desperdícios em tempo real; 
  • Estocagem de água em reservatórios temporários, para evitar a dependência constante da rede pública. 

Quando o edifício já está em funcionamento, a gestão hídrica sustentável pode ser implementada a partir de sistema de reuso de águas cinzas (de pias e chuveiros) para irrigação de jardins ou descarga sanitária, captação de água da chuva para fins não potáveis (como limpeza de áreas comuns e descargas) e acionamento e torneiras com temporizador ou sensor, que reduzem o consumo. 

Essa combinação de infraestrutura e comportamento responsável garante a continuidade da sustentabilidade ao longo da vida útil do prédio

Materiais sustentáveis 

Embora alguns materiais sustentáveis tenham um custo inicial mais alto, esse investimento é compensado pela maior durabilidade e menor necessidade de manutenção.  

Eles também exigem menos processos para serem produzidos, transportados e descartados.  

Entre os principais exemplos de materiais sustentáveis na Construção Civil, destacam-se: 

  • Madeira certificada: proveniente de florestas manejadas corretamente; 
  • Tijolos ecológicos: blocos produzidos com lã e lama não precisam ser cozidos em forno, evitando emissões de gases poluentes e mantendo boa resistência; 
  • Concreto sustentável: pode incorporar resíduos reciclados e plásticos em sua composição, reduzindo significativamente as emissões de CO₂. Com o avanço da tecnologia, também é possível encontrar variações com menos clínquer e processos de fabricação mais eficientes
  • Telhados verdes: ajudam no isolamento térmico, reduzem o consumo de energia e contribuem para a absorção de água da chuva; 
  • Pisos de bambu e tintas biodegradáveis: oferecem alternativas duráveis. 

Em contrapartida, materiais não renováveis de alto impacto, como plásticos sem planos claros de reciclagem, devem ser evitados sempre que possível. Mesmo sendo tecnicamente recicláveis, esses materiais muitas vezes acabam em aterros ou no oceano, agravando o problema da poluição por microplásticos. 

Gestão de resíduos 

Segundo a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), o setor gera cerca de 106,3 milhões de toneladas de resíduos por ano, acumulados em mais de três mil lixões espalhados pelo país.  

Sem o devido controle, esses materiais podem causar sérios impactos ambientais, como contaminação do solo, poluição de rios e aumento da emissão de gases de efeito estufa

Em uma construção sustentável, o objetivo é minimizar a geração de resíduos desde a fase do projeto, adotando práticas como a escolha de tecnologias construtivas mais limpas (a exemplo da construção modular ou drywall), além da separação e destinação correta dos resíduos por tipo (madeira, metal, concreto, gesso etc.). 

Vale destacar que a Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), estabelece princípios e diretrizes para o gerenciamento adequado dos resíduos. Logo, construtoras, incorporadoras e empreiteiras precisam seguir essas regras

Quais são os impactos positivos da construção sustentável? 

A construção sustentável gera três principais impactos: ambientais, econômicos e sociais. 

Impactos ambientais positivos 

Um dos maiores impactos positivos da construção sustentável é a redução da pegada de carbono graças a estratégias como o uso de materiais sustentáveis, maior eficiência energética e o aproveitamento de fontes renováveis de energia — como a solar e a eólica — durante e após a obra. 

Outro ponto é o uso mais consciente dos recursos naturais. Em vez de consumir grandes volumes de matéria-prima virgem, a construção sustentável prioriza materiais reciclados, reutilizáveis ou de origem renovável.  

Além disso, o gerenciamento correto dos resíduos da obra — por meio de separação, reaproveitamento e reciclagem — contribui para a diminuição dos impactos negativos no solo, na água e na atmosfera. 

Vantagem econômica 

Embora a construção sustentável pareça mais cara, o investimento tende a se pagar com o tempo. Edificações sustentáveis, por serem mais eficientes, costumam ter menor custo operacional e manutenção reduzida, o que se transforma em maior atratividade no mercado imobiliário.  

Elas também tendem a manter seu valor de mercado por mais tempo, além de possibilitar o acesso a linhas de crédito verdes, incentivos fiscais e benefícios previstos em políticas públicas. 

Benefícios sociais 

Do ponto de vista social, as construções sustentáveis geram ambientes mais confortáveis e produtivos para quem os utiliza.  

Isso fortalece a imagem institucional das empresas e demonstram, na prática, que estão alinhadas com os princípios de responsabilidade socioambiental. 

Quais certificações garantem a sustentabilidade de uma construção? 

As certificações são selos que comprovam, com base em critérios técnicos, que uma construção foi planejada e executada com práticas sustentáveis.  

No Brasil, diversos reconhecimentos — inclusive alguns de origem internacional — foram adaptados ou reconhecidos por sua relevância no setor da Construção Civil. 

LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) 

A certificação LEED é uma das mais reconhecidas do mundo, criada pelo USGBC (United States Green Building Council). Ela avalia critérios como eficiência energética, gestão da água, mobilidade, escolha de materiais, inovação e qualidade ambiental interna.  

O nível de desempenho alcançado é classificado em quatro categorias: Certified, Silver, Gold e Platinum. Quanto maior o nível, mais exigente é a performance ambiental da edificação.  

Para as empresas, a certificação LEED significa economia de longo prazo, aumento do valor de mercado do empreendimento, visibilidade internacional e um forte posicionamento em sustentabilidade corporativa. 

AQUA-HQE (Alta Qualidade Ambiental) 

Originada da certificação francesa HQE e adaptada ao Brasil pela Fundação Vanzolini, a AQUA-HQE considera o desempenho ambiental da edificação durante todo o seu ciclo de vida.  

A avaliação é dividida em quatro etapas: programa, concepção, realização e uso. Ela considera aspectos como conforto térmico, acústico, lumínico, eficiência de recursos e impacto sobre o entorno.  

Por ser adaptada à realidade brasileira, a certificação é especialmente relevante em projetos nacionais. Além de contribuir com a redução de riscos ambientais e operacionais, ela promove o bem-estar dos usuários e melhora a reputação da empresa junto a órgãos públicos e investidores. 

EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies) 

Desenvolvida pelo IFC (braço do Banco Mundial), a certificação EDGE é voltada para países em desenvolvimento e tem como foco a redução de, pelo menos, 20% no consumo de energia, água e energia incorporada nos materiais, em comparação com uma construção convencional.  

Seu processo é simples e acessível, o que a torna ideal para empreendimentos de médio porte. Ao adotar a EDGE, a empresa pode obter acesso facilitado a financiamentos verdes, além de atrair compradores e locatários cada vez mais preocupados com desempenho ambiental. 

GBC Casa e Condomínio 

Voltada para o mercado residencial, essa certificação é oferecida pelo Green Building Council Brasil. Ela analisa aspectos como eficiência energética, uso racional da água, conforto ambiental, responsabilidade social e gestão de resíduos.  

Seu foco está na melhoria da qualidade de vida dos moradores e na redução dos custos operacionais ao longo do tempo. A adesão ao GBC Casa e Condomínio agrega valor ao imóvel, amplia sua atratividade no mercado e reforça o posicionamento da empresa como comprometida com a sustentabilidade residencial. 

BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method) 

Criada no Reino Unido e presente no Brasil desde 2011, a BREEAM é uma das certificações mais antigas e respeitadas no mundo. Ela avalia o desempenho ambiental da construção em categorias como energia, gestão, transporte, materiais, poluição, uso do solo, resíduos e ecologia.  

A certificação é concedida em níveis que vão de Pass a Outstanding, conforme o grau de conformidade com os critérios estabelecidos.  

Embora bastante exigente, ela oferece alta credibilidade e amplia o reconhecimento internacional da obra, sendo uma escolha estratégica para empresas que desejam atuar em mercados globais ou atrair fundos estrangeiros. 

Procel Edifica 

Essa é uma certificação nacional voltada à eficiência energética de edificações. Criada pelo Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), o selo avalia a envoltória da edificação, os sistemas de iluminação, climatização e aquecimento de água, entre outros.  

Ao obter o selo Procel Edifica, a empresa comprova que seu projeto consome menos energia que a média, o que contribui para a redução da conta de luz e pode até facilitar incentivos fiscais e subsídios públicos. 

WELL e Fitwel 

Embora não sejam certificações exclusivamente ambientais, WELL e Fitwel são relevantes por focarem na saúde, bem-estar e produtividade dos ocupantes. Elas consideram aspectos como qualidade do ar e da água, iluminação natural, acesso a áreas verdes, ergonomia e alimentação saudável.  

Essas certificações são particularmente valorizadas em edifícios corporativos e espaços de uso coletivo, já que empresas preocupadas com o bem-estar dos colaboradores tendem a ter maior retenção de talentos e redução nos custos com saúde ocupacional

Exemplos de construções sustentáveis 

O Brasil possui diversos exemplos de construções sustentáveis que se destacam pela inovação, eficiência no uso de recursos e compromisso ambiental.  

Um dos destaques é a AYA Earth Partners, em São Paulo, que conquistou a certificação LEED ID+C V4 Platinum para interiores comerciais. Parte do complexo Cidade Matarazzo, o projeto atingiu uma redução superior a 80% no consumo de água e mais de 30% no uso de energia, combinando arquitetura sofisticada com práticas sustentáveis de alto desempenho. 

Outro exemplo relevante é o Cetenco Plaza, também na capital paulista. Construído na década de 1980, o edifício recebeu o selo LEED O+M nível Gold, demonstrando que construções antigas podem ser adaptadas para atender aos critérios de sustentabilidade. 

Fora do eixo corporativo, a Escola Estadual Ilha da Juventude, situada na periferia da Vila Brasilândia, é um exemplo marcante no setor público. Com um projeto arquitetônico voltado à eficiência energética e conforto térmico, a escola utiliza iluminação e ventilação naturais, reduzindo o consumo de energia. O projeto foi reconhecido com o certificado AQUA, da Fundação Vanzolini. 

Já no setor esportivo, destaca-se a Arena Castelão, em Fortaleza. Primeiro estádio no mundo a receber a certificação LEED, o local foi projetado com foco em eficiência hídrica, economia de energia, qualidade ambiental interna e práticas de construção de baixo impacto. 

Esses casos mostram que inovar na Construção Civil é viável em diferentes contextos, contribuindo não apenas para a preservação ambiental, mas também para a valorização dos empreendimentos. 

Como fazer a gestão eficiente de uma construção sustentável? 

Gerir uma construção sustentável exige organização, controle de processos e, acima de tudo, dados confiáveis. 

Com tantas variáveis envolvidas — escolha de materiais, controle de resíduos, consumo de recursos, cumprimento de normas e certificações —, centralizar todas essas informações de maneira estruturada se torna essencial para garantir que o projeto siga os princípios da sustentabilidade

Uma das formas mais eficazes de fazer isso é por meio da tecnologia. Checklists digitais, por exemplo, ajudam a acompanhar todas as necessidades do projeto, garantindo que nenhuma etapa passe despercebida. 

O Checklist Fácil é uma dessas soluções que tornam a gestão de construções sustentáveis mais ágil, estruturada e eficiente. Em projetos que exigem controle rigoroso sobre o uso de recursos, geração de resíduos e conformidade com critérios ambientais, o sistema permite criar checklists totalmente personalizáveis, adaptando-se às exigências específicas de cada obra sustentável.  

Quando uma não conformidade é identificada — como um descarte incorreto de material ou uso de insumos fora dos padrões ecológicos — o sistema gera automaticamente um plano de ação com prazos, responsáveis e orientações claras para correção, promovendo respostas rápidas e bem direcionadas. 

A tecnologia também permite a integração com sensores IoT, úteis para automatizar o monitoramento de parâmetros ambientais como temperatura, umidade ou consumo hídrico.  

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Foto de Rafael Abreu
Rafael Abreu
Rafael Abreu é um dos fundadores do Checklist Fácil e Diretor de Tecnologia da Starian Eficiência Operacional, liderando as áreas de Produto, Desenvolvimento e Infraestrutura da Unidade. Possui mais de 15 anos de experiência em tecnologia, sendo especialista em desenvolvimento web e responsável pela formação e estruturação das áreas de Produto e Tecnologia da empresa. Sua experiência abrange desenvolvimento de software, gestão de produtos e liderança de tecnologia, sempre com foco em colaboração e formação de equipes de alta performance.

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