NBR 5419: do que trata e o que diz a versão atualizada?

Tempo de leitura: 7 minutos

A NBR 5419, criada pela ABNT, é a norma brasileira que estabelece requisitos para proteção contra descargas atmosféricas. Ela orienta o projeto, instalação e manutenção de sistemas de proteção contra raios (SPDA), garantindo segurança de edificações, pessoas e equipamentos eletrônicos.


Quando um raio corta o céu, a descarga elétrica pode ultrapassar 100 milhões de volts, o que representa sérios riscos para edificações e equipamentos eletrônicos

Para evitar problemas, seguir a NBR 5419 se torna essencial. Isso porque é essa norma da ABNT que define critérios técnicos para sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), abrangendo desde a análise de risco até a instalação e manutenção de para-raios.

Se você tem dúvidas sobre o assunto, continue a leitura do artigo. Nele você aprenderá o que diz a NBR 5419 atualizada, qual é a sua importância, quem deve segui-la e mais. Confira!

O que é a NBR 5419 e qual seu objetivo?

A NBR 5419 é uma norma técnica publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que define os requisitos para proteção de estruturas contra descargas atmosféricas, ou seja, raios.

Também conhecida como norma de SPDA, ela é dividida em quatro partes complementares:

  • Princípios gerais: define conceitos e objetivos da proteção contra descargas atmosféricas;
  • Avaliação de risco: determina métodos de cálculo para identificar a necessidade de um SPDA;
  • Danos físicos e risco à vida: orienta sobre o projeto e instalação de sistemas externos (como para-raios);
  • Sistemas elétricos e eletrônicos internos: trata da proteção contra surtos e interferências eletromagnéticas.

Quais são os objetivos da NBR 5419?

A NBR 5419 tem como objetivo estabelecer diretrizes técnicas e critérios de segurança para:

  • Avaliar o risco de descargas atmosféricas em uma edificação ou instalação;
  • Projetar e instalar sistemas de proteção adequados (como para-raios, hastes, cabos e aterramento);
  • Garantir a segurança de pessoas dentro e ao redor das estruturas;
  • Preservar equipamentos eletrônicos sensíveis e sistemas de controle;
  • Padronizar procedimentos para inspeção e manutenção preventiva dos sistemas de SPDA.

Qual é a importância da NBR 5419 para a proteção contra descargas atmosféricas?

Em um país com alta incidência de raios, como o Brasil, a aplicação da NBR 5419 é fundamental para garantir segurança, reduzir riscos e evitar prejuízos materiais e humanos.

Estes são os principais motivos que tornam a NBR 5419 essencial:

Proteção da vida humana

A norma estabelece medidas que reduzem o risco de choques elétricos, incêndios e explosões provocados por raios. Ela determina, por exemplo, as zonas de proteção e os níveis de risco aceitáveis, garantindo a segurança de pessoas dentro e ao redor das edificações.

  • Leia também sobre a NR 10, norma que estabelece normas de segurança para instalações e serviços de eletricidade.

Segurança de edificações e patrimônio

Com orientações sobre instalação de para-raios, aterramento e equipotencialização, a NBR 5419 protege estruturas físicas, sistemas elétricos e eletrônicos contra danos diretos e indiretos causados por descargas atmosféricas.

Preservação de equipamentos eletrônicos

Em ambientes industriais, comerciais e hospitalares, os surtos elétricos gerados por raios podem destruir sistemas sensíveis. A norma define critérios para SPDA interno e externo, reduzindo falhas e interrupções de operação.

Análise de risco padronizada

A norma exige que cada projeto passe por uma avaliação de risco para determinar se é necessária a instalação de um SPDA e qual deve ser seu nível de proteção. Isso garante decisões técnicas baseadas em cálculos e probabilidades reais, não em suposições.

O cumprimento da NBR 5419 é uma exigência em projetos de engenharia e construção civil, sendo frequentemente cobrada por seguradoras, órgãos públicos e auditorias técnicas. Além disso, seu descumprimento pode representar responsabilidade civil e criminal em caso de acidentes.

Sustentabilidade e continuidade operacional

Ao evitar falhas e prejuízos causados por raios, a norma contribui para a sustentabilidade de operações empresariais e para a redução de perdas financeiras e ambientais.

Quem deve seguir a NBR 5419?

Estes são os principais profissionais e setores que devem seguir a NBR 5419:

  • Engenheiros eletricistas e projetistas de SPDA: são os principais responsáveis pela análise de risco, projeto e dimensionamento dos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (externos e internos). Devem seguir integralmente as orientações da NBR 5419.
  • Arquitetos e engenheiros civis: devem considerar a norma de SPDA ainda na fase de concepção do projeto arquitetônico, prevendo pontos de aterramento, condutores de descida e elementos de proteção integrados à estrutura da edificação.
  • Empresas de construção civil e incorporadoras: são responsáveis por executar as instalações conforme o projeto aprovado, garantindo que o SPDA seja instalado de acordo com as especificações da norma brasileira.
  • Síndicos, administradores e gestores prediais: devem manter o sistema de proteção contra raios em bom estado e realizar inspeções periódicas, conforme previsto na NBR 5419. O descumprimento pode resultar em multas, perda de cobertura de seguro e riscos à vida dos ocupantes.
  • Indústrias, hospitais, escolas e instituições públicas: por abrigarem grande número de pessoas e equipamentos sensíveis, devem obrigatoriamente possuir SPDA projetado e instalado conforme a norma. Em muitos casos, auditorias e licenças operacionais exigem comprovação de conformidade com a NBR 5419.
  • Empresas de manutenção e inspeção elétrica: são responsáveis por realizar vistorias técnicas e medições para garantir que o sistema continue eficiente, conforme as condições estabelecidas na norma SPDA.

Principais conceitos da NBR 5419

Confira os principais conceitos da NBR 5419:

Sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA)

O SPDA é o conjunto de medidas externas e internas destinadas a proteger uma edificação contra os efeitos de descargas atmosféricas:

  • SPDA externo: responsável por captar e conduzir a descarga atmosférica até o sistema de aterramento;
  • SPDA interno: protege os sistemas elétricos e eletrônicos contra surtos de tensão e interferências eletromagnéticas.

Segundo a NBR 5419 atualizada, o sistema deve ser projetado de forma a captar, conduzir e dispersar a corrente do raio com segurança até o solo, evitando que ela atinja partes vulneráveis da estrutura ou cause danos a pessoas e equipamentos.

Avaliação de risco

A avaliação de risco é uma das etapas mais importantes definidas pela NBR 5419. Antes da instalação de qualquer sistema de proteção, é necessário calcular a probabilidade de uma descarga atmosférica atingir a estrutura e avaliar as possíveis consequências, como perdas humanas, falhas de sistemas, danos materiais ou impactos ambientais.

A norma fornece métodos de cálculo e parâmetros técnicos para estimar o nível de risco e determinar o nível de proteção (I, II, III ou IV) que deve ser adotado.

Componentes do sistema de proteção contra raios

O sistema definido pela NBR 5419 é composto por elementos interligados que atuam em conjunto para garantir a segurança das edificações:

  • Captadores: dispositivos instalados nas partes mais altas da estrutura (como mastros, hastes, cabos ou condutores aéreos), responsáveis por interceptar a descarga elétrica do raio. Também conhecidos como para-raios, os captadores formam a primeira linha de defesa do SPDA externo;
  • Condutores de descida: após a captação do raio, a corrente elétrica é conduzida até o solo por meio dos condutores de descida, que devem seguir trajetos diretos e simétricos para reduzir o risco de centelhamentos ou danos estruturais;
  • Sistema de aterramento: conjunto de hastes e condutores enterrados que dispersam a corrente elétrica no solo de forma segura. Um aterramento eficiente é essencial para o bom funcionamento do SPDA e para a proteção de equipamentos eletrônicos sensíveis;
  • Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS): os DPS protegem circuitos elétricos e eletrônicos contra surtos de tensão gerados por descargas diretas ou indiretas. Eles fazem parte do SPDA interno e devem ser instalados em quadros de distribuição, painéis e equipamentos críticos.

Tipos de sistemas de proteção conforme a NBR 5419 

A NBR 5419 classifica os Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) em diferentes tipos, de acordo com o método utilizado para a captação e condução da corrente elétrica até o solo:

SPDA com captadores por ponta aérea (sistema de Franklin)

Também conhecido como sistema de hastes captoras ou para-raios de ponta, baseia-se no princípio de atração do raio por uma haste metálica instalada no ponto mais alto da estrutura, conectada a condutores de descida e ao sistema de aterramento.

Esse sistema é ideal para edificações altas, torres, chaminés e estruturas isoladas, onde é possível instalar pontos de captação elevados.

SPDA por gaiola de Faraday

O sistema de gaiola de Faraday é formado por uma malha de condutores metálicos dispostos ao redor da edificação, geralmente no topo e nas laterais, formando uma “gaiola” que distribui a corrente elétrica do raio de forma uniforme.

É muito utilizado em edifícios grandes, galpões industriais, centros logísticos e instalações com cobertura metálica, pois oferece proteção integral e reduz o risco de danos localizados.

SPDA por malha de aterramento

A malha de aterramento é responsável por dispersar a corrente elétrica da descarga atmosférica no solo, garantindo que a energia seja dissipada com segurança e evitando tensões perigosas de toque e passo.

Esse tipo de sistema é frequentemente combinado com captadores por ponta aérea ou com a gaiola de Faraday, formando uma proteção completa e eficiente contra descargas atmosféricas.

Boas práticas para a instalação do sistema SPDA

A instalação de um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas deve seguir um projeto técnico detalhado, conforme os parâmetros estabelecidos pela NBR 5419. Confira, a seguir, as principais boas práticas recomendadas:

1. Planejamento técnico adequado

Antes da instalação, é fundamental realizar a avaliação de risco e determinar o nível de proteção da estrutura (I, II, III ou IV). Essa etapa define a quantidade e disposição de captadores, condutores e o tipo de aterramento necessário para garantir a eficácia do sistema.

2. Instalação correta dos captadores e condutores

As hastes captoras (ou para-raios) devem ser instaladas no ponto mais alto da estrutura, com trajetos curtos e diretos até o sistema de aterramento. Os condutores de descida devem ser dispostos de forma simétrica e com o menor número possível de curvas, a fim de reduzir o risco de centelhamentos e danos estruturais.

3. Sistema de aterramento eficiente

O sistema de aterramento deve apresentar baixa resistência elétrica, garantindo a dispersão segura da corrente da descarga atmosférica. É essencial que o SPDA esteja conectado ao sistema de equipotencialização, evitando diferenças de potencial perigosas entre estruturas e equipamentos.

4. Conformidade com materiais e conexões

Todos os materiais utilizados, como cabos, conexões, suportes e fixadores, devem ser compatíveis entre si e resistentes à corrosão. A NBR 5419 especifica dimensões mínimas para cabos, bitolas e conexões, a fim de assegurar a durabilidade e eficiência do sistema.

5. Proteção interna

A instalação de Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) em quadros de distribuição e equipamentos críticos é essencial para proteger sistemas eletrônicos sensíveis contra surtos de tensão causados por descargas indiretas.

Como usar a tecnologia a favor da instalação e da manutenção de sistemas de proteção?

A tecnologia tem transformado a forma como sistemas de proteção contra descargas atmosféricas são projetados, instalados e mantidos. 

Hoje, ferramentas digitais e plataformas inteligentes permitem monitorar em tempo real o desempenho do SPDA, registrar inspeções, gerar relatórios automáticos e garantir a conformidade com a NBR 5419.

Um exemplo é o Checklist Fácil, plataforma completa que auxilia empresas a padronizar inspeções, acompanhar manutenções e garantir a conformidade com normas como a NBR 5419

Por meio dos checklists digitais personalizados disponíveis no sistemas, é possível registrar fotos, resultados de testes e assinaturas em campo, tudo de forma integrada e armazenada na nuvem. 

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Rafael Abreu
Rafael Abreu é um dos fundadores do Checklist Fácil e Diretor de Tecnologia da Starian Eficiência Operacional, liderando as áreas de Produto, Desenvolvimento e Infraestrutura da Unidade. Possui mais de 15 anos de experiência em tecnologia, sendo especialista em desenvolvimento web e responsável pela formação e estruturação das áreas de Produto e Tecnologia da empresa. Sua experiência abrange desenvolvimento de software, gestão de produtos e liderança de tecnologia, sempre com foco em colaboração e formação de equipes de alta performance.

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